domingo, 6 de dezembro de 2009

Meridiano de Sangue, ou O rubor crepuscular no Oeste – Cormac McCarthy




Parte 2: Principais citações.


“E desse modo aqueles grupos se separaram na planície à meia-noite, cada um percorrendo o caminho pelo qual o outro viera, perseguindo como cabe a todo viajante inversões sem fim das jornadas de outros homens.” p. 130

“Se grande parte do mundo era mistério as fronteiras desse mundo não o eram, pois elas não conheciam medida ou limite e aí dentro encerrados estavam criaturas ainda mais horríveis e homens de outras cores e seres sobre os quais homem algum deitara os olhos e contudo nenhuma dessas coisas mais forasteira do que forasteiros eram seus próprios corações em seus peitos, fossem quais fossem a vastidão e as feras ai dentro encerradas.” p. 147

“As coisas que estão por vir não se desviam um isto do livro em que estão escritas.” p. 150

“O que é verdadeiro para um homem, disse o juiz, é verdadeiro para muitos.” p. 154

“É da natureza do mundo vicejar e florir e morrer mas nos negócios do homem não há definhamento e o zênite de sua expressão sinaliza o começo da noite.” p. 155

“Cavalgaram como homens investidos de um propósito cujas origens eram anteriores a eles, como legatários de sangue de uma ordem imperativa e remota. Pois embora cada homem entre eles fosse distinto em si mesmo, combinados formavam algo que não existira antes e nessa alma comunal havia plagas desertas dificilmente mais apreensíveis do que aquelas regiões esmaecidas em antigos mapas onde vivem monstros e onde nenhuma outra coisa do mundo conhecido existe salvo supostos ventos.” p. 162

“(...) e seguiram insensatos e meio desatinados em direção ao término vermelho daquele dia, em direção às terras crepusculares e ao distante pandemônio do sol.” p. 196

“Chovia novamente e cavalgaram recurvos sob impermeáveis talhados de peles sebentas semi-curvados e assim encapelados sob a chuva cinzenta e furiosa pareciam guardiões de uma seita obscura enviados a buscar prosélitos entres as próprias feras da terra.” p. 198

“Tudo que existe, disse. Tudo que na criação existe sem meu conhecimento existe sem meu consentimento.” p. 209

“O homem que acredita que os segredos do mundo estão escondidos para sempre vive em mistério e medo. A superstição o arrasta para o fundo. A erosão da chuva vai apagar os feitos de sua vida. Mas o homem que impõe a si mesmo a tarefa de descoser o fio que ordena a tapeçaria terá mediante a mera decisão assumido o comando do mundo e é somente assumindo o comando que levará a efeito um modo de ditar os termos de seu próprio destino.” p. 210

“O arco dos corpos que circulam é determinado pelo comprimento de suas peias, disse o juiz. Luas, moedas, homens.” p. 258

“Ele quedava observando o fogo e se acaso ali enxergou augúrios não lhes deu importância. Viveria para ver o mar ocidental e estava à altura do que quer que sucedesse pois ele era completo em todos os momentos. Quer sua historia transcorresse concomitantemente à dos homens e nações, quer cessasse. Repudiara havia muito todo o peso da conseqüência e concedendo como o fazia que os destinos dos homens estão todos traçados ainda assim arrogava conter em si tudo que ele algum dia seria no mundo e tudo que o mundo seria para ele e mesmo que os termos de seu contrato estivessem escritos na própria pedra primordial reivindicava o direito à ação e tal o afirmava e conduzia o sol implacável a sua derradeira tenebrosidade como se estivesse sob seu comando desde o início dos tempos, antes de haver caminhos onde quer que fosse, antes de haver homens ou sóis a passar sobre eles.” p. 255

“Pois cada fogo é todos os fogos, o primeiro fogo e o último que um dia haverá de ser.” p. 256

“Os cavalos marcharam sombriamente no solo alienígena e a terra redonda rolava sob eles em silêncio como uma mó girando no vácuo ainda maior onde estavam contidos. Na austeridade neutra daquela região a todos os fenômenos era legada uma estranha equanimidade e nem uma única criatura fosse uma aranha fosse uma pedra fosse uma folha de mato podia reclamar precedência. A própria clareza desses entes desmentia sua familiaridade, pois o olhar atribuía predicado ao todo com base em algum traço ou parte e ali nenhuma coisa era mais luminosa que outra e nenhuma mais ensombrecida e na democracia óptica de tais panoramas toda preferência é tomada em capricho e um homem e uma pedra vêem-se dotados de afinidades insuspeitas.” p. 259-260

“Não faz diferença o que o homem pensa da guerra, disse o juiz. A guerra perdura. É a mesma coisa que perguntar o que o homem pensa da pedra. A guerra sempre vai existir. Antes do homem aparecer, a guerra estava a sua espera. A ocupação suprema à espera do praticante supremo. Assim foi e assim será. Assim e de mais nenhum outro jeito.” p. 260

“Os homens de deus e os homens da guerra guardam estranhas afinidades.” p. 263

“Apenas o juiz pareceu avaliá-los com o devido vagar e o fez com sobriedade, julgando como deve ter feito que as coisas dificilmente são o que parecem.” p. 267

“Em qualquer acontecimento a história de todos não é a história de cada um nem tampouco a soma dessas histórias e ninguém aqui no final pode entender o motivo de sua presença pois ninguém tem como saber nem mesmo no que o acontecimento consiste. Na verdade, se a pessoa soubesse é bem provável que se ausentasse e como você pode ver isso não pode ser parte do plano se é que algum plano há.” p. 344

“As lembranças do homem são incertas e o passado que ocorreu difere pouco do passado que não.” p. 346

Meridiano de Sangue, ou O rubor crepuscular no Oeste – Cormac McCarthy


Parte 1: Resumo.

Título: Meridiano de Sangue, ou O rubor crepuscular no Oeste
Autor: Cormac McCarthy
Editora: Alfaguara

O livro traça, de inicio, a vida de um jovem sem nome e sem família, conhecido apenas como “kid”, abandonado a sua própria sorte em um mundo violento, cruel e implacável. Vagando pelo sul em direção ao oeste dos Estados Unidos, nos anos que se seguiram a guerra contra o México, o “kid” se une a um bando de mercenários, contratados por governantes do norte daquele país, para caçar os famigerados "peles-vermelhas", principalmente os selvagens e lendários apaches, e arrancar-lhes os “recibos”, tufos de cabelo e couro cabeludo extraídos violentamente dos crânios indígenas, e as vezes mexicanos, na cruel e imortalizada prática do escalpelamento.

A estranha companhia, muito mais próxima de um "bando" do que de qualquer organizado grupamento militar, formada por personagens singulares como seu comandante, o cruel John Joel Glanton, o gigante albino juiz Holden, o mutilado Toadvine, o negro Jackson, entre outros de menor expressão, mas não menos intrigantes e importantes no desenrolar da história, é seguida de perto pelo morticínio e a violência, deixando atrás de si um rastro largo de morte, sangue e destruição por uma terra inóspita e sem lei, já destruída pelo clima e pela miséria humana.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Textos Mais que Batidos da Net - Parte 4


O texto a seguir, dessa vez intitulado de "Dicionário Brasileiro", me faz lembrar o 2º ano do 2º Grau (seja lá como chamem isso hoje em dia), no pós 11 de setembro (completando 8 anos hoje), quando eu imprimi e levei esse texto para uma aula de português.


Dicionário Brasileiro:

DEPENDE: envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é
que signifique diversos pretextos para dizer não.

JÁ JÁ: aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido do que já. Ledo engano; é muito mais lento. Faço já significa "passou a ser minha primeira prioridade", enquanto "faço já já" quer dizer apenas "assim
que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito."

LOGO : logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo. É preciso também tomar cuidado com a frase "Mas logo eu?", que quer dizer "tô fora!”.

MÊS QUE VEM: parece coisa de primeiro grau, mas ainda tem estrangeiro que não entendeu. Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm!

NO MÁXIMO: essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.

PODE DEIXAR: traduz-se como nunca.

POR VOLTA: similar a no máximo. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5h quer dizer a partir das 5 h.

SEM FALTA: é uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro atraso, deve-se dizer "fique tranqüilo que amanhã eu entrego." E depois do segundo atraso, "relaxa, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o amanhã, sem falta."

UM MINUTINHO: é um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.

TÁ SAINDO: ou seja: vai demorar. E muito. Não adianta bufar. Os dois verbos juntos indicam tempo contínuo. Não entendeu? É para continuar a esperar? Capisce! Understood? Comprennez-vous? Sacou? Mas não esquenta que já tá saindo...

VEJA BEM: é o Day after do depende. Significa "viu como pressionar não adianta?" É utilizado da seguinte maneira: "Mas você não prometeu os cálculos para hoje?" Resposta: "Veja bem." Se dito neste tom, após a frase
"não vou mais tolerar atrasos, OK?", exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.

ZÁS-TRÁS: palavra em moda até uns 50 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário.

(autor desconhecido, mas profundo conhecedor da cultura brasileira)

Agradeço a talvez futura doutora Vanessa Karine Pries (sempre achei que erram a grafia de "Pires") por me enviar esse e-mail.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Textos Mais que Batidos da Net - Parte 3


Dessa vez esse texto veio com o título de "Musicas Inesquecíveis", e realmente é impossível esquecer um e-mail desse tipo recebendo ele pelo menos uma vez por ano.


Música do surdo:

"Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada."
(Engenheiros do Hawai)

Música do mudo e do surdo:
"Eu quis dizer, você não quis escutar!!!"
(Paralamas do Sucesso)

Música do leproso I:
"Já não tenho dedos pra contar..."
(Lulu Santos)

Música do leproso II:
"Jogue as suas mãos para o céu."
(Kid Abelha)

Música do sexo anal:
"Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que
faz. Quero ver o amor crescer, mas se a dor nascer, você resistir e sorrir!!!"
(Jingle de final de ano)

Música do japonês excitado:
"Meu pintinho amarelinho, cabe aqui na minha mão...."
(Gugu Liberato)

Música do pão duro:
"Amanhã de manhã vou pedir UM café pra nós DOIS!!!"
(Roberto Carlos)

Música do surfista tarado:
"COMO uma onda no mar!!!"
(Lulu Santos)

Música dos anãos:
"Então eu me afogo num copo de cerveja..."
(Só Pra Contrariar)

Música da virgem:
"Como é que uma coisa assim machuca tanto..."
(Só Pra Contrariar)

Música do epilético:
"... o corpo estremece, as pernas desobedecem. ..."
(Ara Ketu)

Música do desodorante vencido:
"Quando você passa eu sinto o seu cheiro..."
(Banda Eva)

Música da mulher aos 40 anos:
"Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia...."
(Lulu Santos)

Música da menstruação atrasada:
"A semana inteira, fiquei esperando... "
(Tim Maia)

Agradeço a minha grande amiga Michele Tavares por mais uma vez me lembrar desse e-mail.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Estavamos no pólo sul... - Parte 1




Atendendo a pedidos do Romeu, mais uma parte da saga Cruz de Aço.

Espero que gostem.



I

Da proa, ao lado do arpão, o capitão da Kriegsmarine observava o submarino Tipo VII, denominado U-765, emergir ao lado de sua fragata baleeira.

O capitão Grosskopff se encolheu mais dentro de seu pesado casaco de lã e couro quando uma súbita rajada de vento trouxe-lhe a lembrança de que estavam dentro do circulo polar antártico, a poucos quilômetros ao norte de um continente coberto de gelo praticamente o ano todo. Olhou em torno, entediado com a demora do u-boat em emergir.

Seu imediato vinha subindo os degraus metálicos que levavam a proa, e ao “ninho” do arpão, um apelido carinhoso dado pelos homens que utilizava com eficiência o equipamento durante as caçadas.

- Fumegante, e com um gole de conhaque – disse o jovem austríaco ao lhe entregar a caneca de metal.

Grosskopff aspirou o liquido por um instante. Era quente e forte, como ele gostava. Tomou um gole e sentiu-o descer queimando por sua garganta, espantando o frio.

- Esse café brasileiro é maravilhoso – falou depois do segundo gole.

- Sim, e como estamos na vizinhança da costa brasileira, creio que não vai faltar.

Tomou outro gole, e perguntou, apenas para se distrair:

- E como estamos nos relacionando com os brasileiros?

- Bem. Muito bem, embora muitos deles ainda estejam receosos, achando que queremos invadir e anexar seu país – falou o imediato, que viera transferido do Rio de Janeiro há três meses, onde faziam algum tipo de serviço burocrático que Grosskopf ignorava. Ignorava também o motivo da transferência, talvez por alguma cagada monumental, pois ser transferido do ensolarado Rio de Janeiro para um baleeiro no circulo polar antártico não derivava de um simples cochilo durante a vigia ou um uniforme amarrotado. Tinha que ser algo grande. Mas como o rapaz era bom, não cabia a ele perder tempo preocupando-se com isso.

- Se tivéssemos recursos para isso, com certeza faríamos. Economizaríamos muito – falou desanimado, olhando o u-boat emergindo.

- Talvez, senhor, mas temos muitos imigrantes nos três estados que formam a região sul do Brasil. Ali eles são cerca de 30% da população, entre alemães, austríacos, italianos e alguns milhares de japoneses – pigarreou. – Isso, sem contar os próprios brasileiros que nos apóiam, alguns por livre e espontânea vontade, outros por medo dos comunistas.

- Medo dos comunistas, aqui? – perguntou incrédulo.

- Sim. Eles tiveram um movimento razoavelmente bem organizado, que tentou assumir o poder em 1935, mas não teve êxito. Depois, com base nesse medo, o presidente deles deu uma espécie de golpe militar em seu próprio governo.

- Isso é o Brasil? – não conseguia levar a sério a idéia de um presidente dar um golpe em seu próprio governo. Era quase como ele conseguir chutar a própria bunda.

- Sim, isso é o Brasil.

Tomou mais um gole, e viu o u-boat manobrar para chegar mais perto do baleeiro.

- E aqueles vizinhos deles, os argentinos? – perguntou entre um gole e outro.

- Foi muito mais fácil. O presidente deles nos apoiou abertamente. Nesse momento uma grande base naval está sendo construída no Rio da Prata, sob as bênçãos argentinas.

- Hum... então, talvez a tão falada Alemanha Austral saia do papel – falou, sem nenhuma convicção.

- Com certeza senhor. Sairá sim – respondeu o imediato, com sua empolgação costumeira aos assuntos da expansão do reich.

O u-boat terminou as manobras e os marinheiros de ambas as embarcações procederam às amarras, depois uma escada de corda foi jogada da fragata.

O capitão do u-boat subiu a bordo, junto com dois outros oficiais. Grosskopf não conhecia nenhum deles, por isso não se apressou em descer ao seu encontro.

Os três olhavam com desdém para o chão coberto de sangue de baleia e vísceras, misturado com água salgada e gelo em alguns pontos. Realmente era algo desagradável de se ver, e ainda mais de cheirar, mas era o trabalho da tripulação de Grosskopf, e aqueles homens se orgulhavam do que fazia.

Por fim, terminou a caneca de café e desceu ao seu encontro.

- Capitão Grosskopf, eu presumo – falou o capitão do u-boat sem fazer qualquer tipo de saudação. Sua voz era fria e desdenhosa, quase inglesa.

- Sim, e o senhor seria... – perguntou, tentando imitar a voz fria e desdenhosa do outro.

- Capitão Otto Maul – disse e olhou para suas botas cujas solas estavam mergulhadas em alguns milímetros de sangue. – Muito me admira encontrar uma embarcação do Reich em semelhante condição – cuspiu as palavras com asco.

- Terminamos o processamento de uma baleia minke a pouco mais de trinta minutos. Ainda não tivemos tempo para o asseio do navio, mas lhe prometo que isso será feito assim que possível – falou forçando o tom de sarcasmo.

- Bom, muito bom – o outro respondeu, sem dar mostras de que notara o sarcasmo. – Como deve ter sido informado que um novo comandante foi designado para o Projeto Leviatã, e eu fui encarregado de escoltá-lo até as instalações no continente antártico.

Fez uma pausa e tornou a olhar para o chão avermelhado.

- Sim. Fiquei sabendo.

- Pois bem – continuou. – uma reunião esta marcada para as onze horas de amanhã com todos os oficiais baseados na Antártida. Tome nota.

Fez a saudação nazista, porem sem bater os calcanhares, talvez por medo de escorregar, e virou-se para retornar ao u-boat. Grosskopf retribuiu a saudação e ficou olhando enquanto o outro capitão descia e o u-boat submergia minutos depois.

- Sempre achei estranha a escolha desse nome: Projeto Leviatã – disse o imediato. – Não é apenas para recolher glicerina proveniente das baleias?

-- Karl, meu jovem, você é muito inteligente para algumas coisas, mas quase nada para outras – falou usando o primeiro nome do imediato. – O projeto não é apenas sobre isso, envolve um estudo mais aprofundado das baleias, para ser aplicado aos u-boats. Eu ouvi dizer que estão construindo um protótipo de u-boat em formato de baleia no hangar 3-C, e que isso vai deixá-lo mais rápido. Isso, sem contar nos projetos dos caças de baixa altitude resistentes ao frio.

- Aqueles que querem empregar em uma possível invasão da União Soviética?

- Sim, esses mesmo, mas não só isso. Existem outros planos para eles.

- Quais?

- Não sei ao certo, mas dizem que querem testá-los nesse frio para fazer um vôo até a lua.

- Lua?

- Sim, lua. Agora deixe de histórias e vamos trabalhar.

Ainda precisavam caçar uma baleia para atingir sua cota, mas como não queria se atrasar para a reunião com o novo comandante, deu ordens para que a fragata fosse levada de volta a base.

Esqueceu de dar ordens quanto à limpeza do convés, estava frio demais para ficar ali fora com baldes e esfregões.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Hidromel? Isso existe?



Sim, existe...

A Bebida preferida de Derfel Cadarn, Uhtred de Bebbamburg e por toda uma horda de barbáros existe sim...

Saiba mais pelo artigo abaixo, extraído do site do Apiário Florin ( www.apiarioflorin.com.br ):


A HISTÓRIA


A fabricação e o consumo de bebidas alcoólicas do mel tem uma história quase tão velha quanto o homem. Muito antes de existir o vinho, já existia o vinho de mel.

Ele já era conhecido pelos homens das cavernas, pelos hindus, persas, gregos, romanos e povos germânicos. Na europa, os velhos teutões, que viveram na Elba, por volta de 200 a.C. faziam hidromel e bebiam-no durante os 30 dias seguintes ao casamento, donde se originou a expressão ‘lua-de-mel’, pois era e é considerado afrodisiáco. Na mitologia germânica o hidromel era a bebida dos deuses e heróis.

No Europa o mel sofreu uma dura competição com o vinho nos países da bacia do Mediterrâneo, onde a uva podia ser cultivada, tornando-se practicamente esquecido. Ele só continuou a ser consumido nas regiões mais frias do norte da Europa, onde não se pode cultivar a uva.

Com as recentes descobertas da ciência do século XX, teve a apicultura mundial um renascimento e o hidromel ganha dia a dia seu lugar ao Sol.

O QUE É HIDROMEL

O hidromel é obtido pela transformação dos acúcares do mel em álcool, assim, é imprópiamente chamado de vinho de mel, pois “vinho’ é um termo consagrado universalmente ao produto da fermentação da uva.

O mel quando colhido “maduro” ou seja quando extraído de favos que foram completamente operculados, pelas abelhas, tem um teor de humidade por volta de 20%. Sob esta proporção de água dificilmente é fermentado. Se o teor de humidade aumentar em 2% pode iniciar-se uma fermentação. Os fermentos que estão presentes no ar no pólen e no próprio mel, podem começar a se multiplicar e transformarem os açúcares do mel em álcool.

A técnica de fabricação do hidromel, consiste em facilitar ao máximo, a ação destes maravilhosos cogumelos microscópicos (saccharomyces cerevisiae). Para uma fermentação completa e que confira um teor alcoólico desejado de 12%, deve se inverter as proporções mel/água. Ou seja: 80% de água e 20% de mel, além de aportar à esta mistura o fermento apropriado bem como os necessários sais nutrientes para o seu bom desenvolvimento e reprodução.


O PROCESSAMENTO

Para uma fermentação completa e que confira um teor alcoólico desejado de 12%, deve se inverter as proporções mel e água. Ou seja: 80% de água e 20% de mel, além de aportar à esta mistura o fermento apropriado bem como os necessários sais nutrientes para o seu bom desenvolvimento e reprodução.

A porcentagem de álcool (7 a 14%) e o sabor específico é obtido através da fermentação do mel. Junto com o álcool são produzidas outras substâncias importantes para a caracterização do vinho, tais como os compostos aromáticos. O processo de fermentação completa em tres meses. O hidromel posto à venda, tem geralmente 1 a 3 anos de maturação em barris de carvalho. A diferença de preço é proporcional ao tempo de envelhecimento da bebida.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Quem (NÃO) eram os Celtas....




Os Celtas eram um antigo povo indo-europeu, fabricados pela Chevrolet, inicialmente apenas na cor verde. Surgiram vários anos antes de J.C., equipados com motores 1.0, movidos a whisky irlandês ou escocês, ou hidromel (que devia ser o máximo), sendo os primeiro Total Flex da história, mas não andavam nada.

Eles gostavam de sacanear saquear Roma sempre que dava (todo segundo fim de semana do mês e em feriados). No entanto, no século I A.C., O capitão do Bope romano da época, J.C. ( Júlio César, não Jesus Cristo, seu idiota!) conquistou a Gália, e os celtas são obrigados a migrar, mudando-se para a Irlanda e Escócia, onde passaram os séculos seguintes bebendo e esperando o império romano levantar acampamento. Quando os romanos finalmente se cansaram e foram embora, o que aconteceu uns seis séculos mais tarde para a alegria dos celtas, a alegria foi tanta que eles começaram a beber para comemorar, coisa que fazem até hoje. Mais tarde eles resolvem se espalhar pela Europa. Porém, a ressaca era tanta que resolveram ficar apenas pela Irlanda, Escócia e alguns outros lugares, que quando passa a bebedeira não lembram como chegaram ali.

CULTURA

Os Celtas não sabiam escrever, muito menos ler e matavam todos aqueles que escreviam sobre eles. Por isso tudo o que sabemos sobre este povo tão amável vem de fontes duvidosas como a Bíblia, os livros de Oscar Wilde e relatos orais ditos por irlandeses, escoceses e galeses altamente embriagados eruditos.

A arte dos celtas é extremamente conceitual e abstrata (pois nunca estão sóbrios), cheias de espirais, desenhos e rabiscos toscos que ninguém sabe para que servem.

Parcialmente retirado de: http://desciclo.pedia.ws/wiki/Celta_(Povo)

domingo, 2 de agosto de 2009

Canção de Amergin

"Sou o vento que sopra sobre o mar;

Sou a onda das profundezas;

Sou o rugido do oceano;

Sou o Gamo de Sete Batalhas;

Sou um falcão no penhasco;

Sou um raio de sol;

Sou a mais verdejante das plantas;

Sou um javali em fúria;

Sou um salmão no rio;

Sou um lago na planície;

Sou uma palavra de Sabedoria;

Sou a ponta de uma lança;

Sou a fascinação para além dos confins da terra;

Como os deuses, posso mudar de forma."


Poema celtico sobre a natureza.

domingo, 7 de junho de 2009

A Encarnação do Demônio



Por Michel Argento

È um dos melhores filmes brasileiros desse século, sem sombra de duvida, e merece um lugar de destaque ao lado de surpresas como Cidade de Deus, O Homem do Ano e Tropa de Elite.

O que o “grande publico” pode não saber, é que esse filme se trata da terceira parte de uma trilogia iniciada pó José Mojica Marins (o Zé do Caixão) no anos 60, com o filme A Meia-Noite Levarei sua Alma, no ano de 1964, e seguido por Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, em 1967, já em plena ditadura militar. Nessa ultima parte, A Encarnação do Demônio, de 2007, Josefel Zanatas, nome verdadeiro do Zé do caixão (o Cofin Joe, como ficou conhecido nos EUA), é libertado após 40 anos de prisão devido aos crime cometidos no passado.

Longe de qualquer tipo de regeneração, Zé do Caixão, que durante o tempo em que esteve confinado cometeu mais de trinta assassinatos, volta para as ruas em busca da mulher que lhe dará o filho perfeito, pois como reza sua filosofia, apenas a continuidade de seu sangue importa. Essa busca mergulha São Paulo em um torvelhinho de sangue e sadismos desenfreado. O personagem, no decorrer do filme, é atormentado por suas vitimas antigas, que lhe aparecem nas horas mais impropias, deixando-o na duvida sobre sua própria lucidez.

Embora seja um bom filme, mas convém dizer que não é bom para todos os públicos, pois apesar da excelente direção, montagem e fotografia, com um impacto visual que remete aos clássicos de Dario Argento, que o torna uma obra de arte surreal, existem na obra cenas extremas que pode, e vão, chocar o publico mais frágil e acostumado com obras água-com-açucar de terror norte-americanos.

Uma das cenas, capaz de causar indignação ao publico despreparado, é aquela onde o militar interpretado por Jece Valadão, que morreu durante as filmagens, espanca a esposa armado com um cassetete, auxiliado por dois subordinados, por ele ter libertado Josefel Zanatas, provavelmente em um trabalho de advocacia dativa. A advogada, mais adiante no filme, protagoniza uma cena bizarra, onde o coveiro esfola sua cabeça, arrancando a pele e puxando-a sobre os olhos da vitima.

Três outras cenas são maravilhosamente horríveis e repulsivas, infringidas contras as pretendentes de Zé do Caixão: o auto-canibalismo, onde a mocinha come um pedaço da própria nádega, cortada de forma explicita; o mergulho em um barril de baratas vivas; e a antológica cena onde uma das mulheres emerge de dentro de uma carcaça de porto, onde estive presa.

Outras cenas são memoráveis, como a chuva de sangue sobre os amantes em um centro de macumba, e a descida de Zé do Caixão ao inferno. Dezenas de outras cenas extremas se desenrolam durante o filme, como corpos suspensos por ganchos, crucificações com closes de pregos atravessando mãos, dentre outras que vão revirar o estomago do publico mais fraco.

Tudo isso faz de a Encarnação do Demônio um grande filme, merecedor de um lugar na mesma prateleira que clássicos como Fome Animal, O Massacre da Serra Elétrica, entre outros, mas esses mesmos fatores o fazem ser ignorado e repudiado pelas massas, restando apenas para alguns poucos o reconhecimento de sua grandeza cinematográfica.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Textos mais que batidos da net - Parte 2

Esse texto é tão batido, que lembro de ter apresentado ele para a professora de portugues no 2º ano do 2º Grau, mas, como a maioria desses textos, continua firme e forte, navegando nas ondas da rede, sempre mantendo o bom humor, apesar da idade. 


SE VOCÊ NÃO GOSTA DE GÍRIAS, FALE DIFÍCIL!!!

1 - Prosopopéia flácida para acalentar bovinos.

(Conversa mole pra boi dormir);

2 - Colóquio sonolento para bovino repousar.
(História pra boi dormir);

3 - Romper a face.
(Quebrar a cara);

4- Creditar o primata.
(Pagar o mico);

5 - Inflar o volume da bolsa escrotal.
(Encher o saco);

6 - Derrubar, com a extremidade do membro inferior, o suporte sustentáculo
de uma das unidades de proteção solar do acampamento.
(Chutar o pau da barraca);

7 - Deglutir o batráquio.
(Engolir o sapo);

8 - Derrubar com intenções mortais.
(Cair matando);

9 -Aplicar a contravenção do João, deficiente físico de um dos membros superiores.
(Dar uma de João sem braço);

10 -Sequer considerando a utilização de um longo pedaço de madeira.
(Nem a pau);

11 - Sequer considerando a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais.
(Nem que a vaca tussa);

12 - Sequer considerando a utilização de uma relação sexual. 

(Nem fudendo);

13 - Derramar água pelo chão, através do tombamento violento e premeditado de seu recipiente com a extremidade do membro inferior.
(Chutar o balde);

14 - Retirar o filhote de eqüino da perturbação pluviométrica.
(Tirar o cavalinho da chuva);


Essa última foi tirada do mais culto livro de palavras clássicas da língua portuguesa:

15 - A bucéfalo de oferendas não perquiris formação ortodôntica!
(A cavalo dado não se olham os dentes!);


ADVERTÊNCIA PARA FINS DE SEMANA OU FERIADOS:
O orifício circular corrugado, localizado na parte ínfero-lombar da região glútea de um indivíduo em alto grau etílico, deixa de estar em consonância com os ditames referentes ao direito individual de propriedade. 

( ... de bêbado não tem dono)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sobre a educação...

"... e uma das coisas que a educação nos dá é o acesso a todas as coisas que outras pessoas souberam, temeram, sonharam e alcançaram. Quando a gente está com problemas é útil descobrir alguém que esteve na mesma dificuldade. Isso explica coisas."

Bernard Cornwell - Excalibur, p. 156.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Nova Ordem Espacial

Por Michel Argento


A historia da conquista espacial pela raça humana sempre foi envolta em glorias e feitos heróicos, justiça e dignidade, mas as coisas não foram bem assim não. Na verdade quase fomos invadidos antes mesmo de criarmos a primeira colônia fora da Terra, em nosso satélite natural: a Lua.

            Os exorbitantes gastos militares, e os custos mais exorbitantes ainda das primeiras viagens extra-atmosféricas, retardaram em quase um século, após o pouso na lua, a primeira missão tripulada com sucesso para marte.

            A Terceira Guerra Mundial foi devastadora e dispendiosa em meados do século XXI, e as crises econômicas e pestes que a seguiram, como abutres a um cadáver, foram mais devastadoras ainda. Nações poderosas foram arrasadas e relegadas a reles coadjuvantes da nova historia e nações mais pobres foram extintas. Nesse pós-guerra, Brasil, Índia, África do Sul e China tornaram-se os Quatro Grandes, ajudando na recuperação dos paises arrasados e guiando os rumos do novo mundo.

            Dessa vez, o mundo não ficou dividido entre duas ideologias como na guerra anterior. Os traumas foram tão fortes que existia apenas uma ideologia, chamada de Capitalismo Humanitário. Na verdade era o mesmo mal e velho capitalismo, apenas disfarçado e destinando uma fatia de seus lucros para a reconstrução, mas ainda seria capaz de vender a mãe pelo melhor preço.

            Os olhos voltados para a recuperação não viram a furtiva invasão de nosso sistema solar. Europa, Ganimedes e Marte já possuíam bases e “prospectos” de colônias de uma raça chamada Sh’rakh, cujos propósitos na invasão de nosso sistema solar nunca foram revelados. Estavam tão bem organizados que possuíam até um estaleiro espacial em Ceres, onde foram construídas as naves que se destinaram à colonização de Marte, a construção da nova base na Lua, e posteriormente, acredita-se, as que seria usadas na invasão da Terra.

             

            Somente quando a construção da base lunar, praticamente em nosso quintal, começou, foi que a invasão foi descoberta, quase que por uma acaso, por um escocês aposentado, e, segundo dizem, parcialmente embriagado, usando um telescópio amador no sujo sotão sobre seu velho celeiro. Ele levou dois dias para ter certeza de o que estava vendo não era uma alucinação, um borrão na lente ou algum velho satélite. A primeira colônia humana na lua, tomada aos alienígenas, foi batizada de Wallace em sua homenagem.

            Depois disso foi quase um mês trilhando árduos caminhos, até a agencia espacial inglesa, ou o que restou dela, obtivesse novas fotos da construção, bem como das naves espaciais utilizadas pelos prováveis invasores. Logo após os Quatro Grandes se reuniram e recolheram as sucatas dos antigos programas espaciais, numa tentativa de entrar em contato.

            Tentaram comunicação em todas as freqüências conhecidas, mas não obtiveram respostas satisfatórias, apenas ruídos que os lingüistas juravam ser a forma de comunicação daqueles seres, mas sem o equivalente lingüístico a uma Pedra de Roseta, não tinham meios de traduzir.

            Seis meses após o primeiro vislumbre uma missão espacial, reunida as pressas e com equipamento duvidoso, foi montada e enviada ao espaço. Não buscavam uma alunissagem, mas apenas queriam travar contato visual.

            O veiculo, chamado Sagan, foi destruído a cerca de duzentos mil quilômetros da Terra, tendo mandado apenas fotos de alguns veículos espaciais alienígenas e a disposição da base. Muito especulasse, agora, que ele não foi destruído em um gesto de hostilidades, mas sim que sua destruição deve-se a um defeito nos equipamentos recauchutados utilizados em sua construção. Muitos desses equipamentos, como os sistemas de propulsão, datavam de muito antes da guerra.

            Esse acidente, proposital ou não, causou um grande mal estar e histeria entre a população, com o medo de uma invasão espalhando-se e gerando tumultos em varias partes do mundo. Londres, ou o que sobrou dela, foi incendiada por manifestantes que exigiam do governo uma solução imediata para a crise, e uma mudança nas leis trabalhistas.

Nova York viveu três dias de conflito armado entre tropas do novo governo que também pediam uma retaliação, tropas do velho governo que pediam novas tentativas de contato, e uma milícia criada por fãs de um velho cantor, chamado por muitos de Rei, que diziam que os seres apenas estavam trazendo seu ídolo de volta. Outras milícias como essa, com o mesmo objetivos e as mesmas crenças, multiplicaram-se pelo mundo.

No Brasil qualquer comoção havia sido abafada pelo novo reajuste do salário mínimo, o mais alto da sua historia, e a criação e financiamento pelo governo de uma nova festa popular, que estendeu-se por todo o país durante uma semana de feriado nacional.

Os protestos na China terminaram com um saldo de cinqüenta mil mortos em Beijing, quando o inocente exercito chinês foi atacado por estudantes armados de placas e faixas.  

No resto do mundo as coisas não foram diferentes, alternando-se entre pedidos de imediata e total retaliação com pedidos de contato e uma paz duradoura entre as duas espécies que, embora ninguém havia visto nem sabia qualquer coisa sobre elas, diziam ter muito em comum, o que poderia propiciar um convívio pacifico entre nós. “A terra é muito grande”, diziam eles, “não precisamos do resto do sistema solar para viver, estamos muito bem aqui”.

Por fim, duas das maiores empresas da Terra, uma chinesa, fabricante de componentes eletrônicos, com filiais por toda a Índia e África, e uma brasileira, com monopólio na produção de combustíveis, uniram forças com outras empresas menores para criar a Primeira Frota Espacial Terrestres[1], atacar sem piedade os invasores e retomar nosso sistema solar, ou morrer tentando.

Então, pelos três anos seguintes, indústrias em todos os cantos do globo voltaram-se a produção de naves de combate, cujos modelos foram retirados de velhos livros do século XX, armas que pudessem ser usadas no vácuo, combustíveis e toda a sorte de equipamentos úteis para a viagem e subseqüente guerra. Centenas de milhares de empregos foram criados, e economia estabilizou-se e voltou a crescer a olhos vistos.

Os recrutas passavam por um rigoroso processo de seleção, e por um treinamento mais rigoroso ainda, e os oficiais eram selecionados entre os mais condecorados da ultima guerra e dos recentes conflitos, e passavam por um treinamento também rigoroso. Porem, eram treinados como soldados, e não como astronautas. Poucos homens ainda possuíam treinamento para missões extra-atmosféricas, e nenhum havia feito sequer uma alunissagem simulada antes do treinamento.

Mas, como lembrou um diplomata brasileiro em um congresso, situações desesperadas requerem soluções desesperadas.

E foi assim que, naquele que ficou conhecido como o dia 1 do calendário estelar terrestre, sete naves com não mais de quinhentos homens a bordo, entre soldados, oficiais, equipe técnica e tripulação, partiram de uma base brasileira, com o incomum nome de “Barreira do Inferno”. Para os homens naquela nave, naquele momento, o nome fez sentido, pois estavam cruzando a barreira para um inferno no espaço.

Cada nave contava com cinco ogivas nucleares, sobras também da ultima guerra, e centenas de mísseis de menor intensidade. A idéia era a de um bombardeio cirúrgico que destruísse a capacidade bélica do oponente, mas mantivesse intacta sua preciosa tecnologia.  Era de fundamental importância a captura dessa tecnologia para que a guerra fosse levada para Marte e o resto de nosso sistema solar.

Como motores de propulsado construídos em tempo recorde, e usando tecnologia ultrapassada, a viagem até a Lua levou trinta e quatro horas. Outras seis horas foram necessárias para a localização dos alvos e posicionamento das naves de ataque.

O primeiro ataque terrestres a uma forma de vida extraterrestre começou exatamente as vinte e três horas do dia 2, ano 1.

A primeira salva de mísseis convencionais não fez mais do que abrir novas crateras na superfície lunar e arranhar a blindagem das construções. A segunda, com uma ogiva nuclear disparada de cada nave, destruiu cerca de oitenta por cento do complexo, tornando o resto uma ruína nuclear de metal retorcido e enegrecido.

Quando os fuzileiros espaciais invadiram, encontraram pouca coisa que pudesse ser estudada. Apenas um hangar ficou intacto, com uma nave de transporte e duas naves de batalha, menores, que poderiam, facilmente, terem sido construídas para uso humano, dados suas poprorções.

Qualquer outro vestígio dos invasores foi vaporizado.

A primeira batalha dessa guerra terminou oficialmente as 2:15hrs do dia 3, ano 1.

Cinco dias depois a primeira nave com cientistas e equipe técnica chegou a Luz. Metade de seus passageiros ocupou-se em reconstruir as instalações, pelos menos uma parte para uso imediato, enquanto a outra ocupou-se em estudar as naves e seu funcionamento.

Com uma vitória tão fácil, o alto comando resolveu mandar a frota de sete naves em direção a marte imediatamente, porem com ordens estritas de só usar a força necessária. No dia 15, após reabastecimento, a frota partiu em direção ao planeta vermelho, aproveitando que nesse momento ele estava em seu ponto mais próximo a terra, a cerca de cinqüenta e seis milhões de quilômetros, em uma viagem com previsão de durar cerca de sessenta dias. Dez dias depois seriam seguidos por uma segunda leva de naves, para reforço.

A viagem transcorreu com graves incidentes internos. Como os fuzileiros, bem como grande parte da tripulação não possuía qualquer treinamento psicológico para suportar as agruras e privações da vida no espaço, o confinamento causou sérios dados aos mais fracos. Ao final da viagem, as sete naves computavam um numero de quarenta e cinco mortos em brigas, sessenta suicidas e cerca de cem “inutilizados”, fosse por graves ferimentos em brigas ou acometidos do que seria conhecida a partir daquela data como loucura espacial.

Após quarenta e quatro dias entre as estrelas e o vácuo frio, a frota chegou a órbita de marte. No segundo dia em órbita sofreram um ataque por três naves de batalha, um pouco maiores do que as capturadas na lua.

Respondendo com uma salva de mísseis convencionais, e uma ogiva nuclear, a segunda batalha durou cerca de trinta e cinco minutos, e acabou com a destruição das três naves atacantes e quatro naves terrestres. Para as três restantes não havia qualquer outra alternativa a não ser atacar com tudo que possuíam ainda, uma ogiva nuclear por nave, e cerca de vinte e cinco mísseis nas três.

Três horas após o fim da batalha, lançaram as três ogivas em pontos estratégicos onde os comandantes acreditavam estarem localizados depósitos de combustíveis, equipamento de suporte vital depósitos de viveres. Com exceção desse ultimo, onde o alvo atingido poderia ser qualquer coisa menos o suposto pelos humanos, as outras ogivas atingiram os alvos imaginados, o que causou um total colapso na força invasora.

 Dez dias depois, com a chegada dos reforços, o primeiro contingente de cem fuzileiros desceu em marte e tomou de assalto as instalações. Encontraram uma ferrenha resistência por parte da força inimiga que, quando se viu cercada e sem chances de vitória, resolver acabar tudo com a explosão de um artefato desconhecido, mas que reduziu tudo o que não fosse parede e maquinários a reles poeira cinza. E isso incluiu os valentes fuzileiros.

Pouca coisa foi deixada para trás que pudesse identificar a forma e demais características dos estranhos. As construções era puramente funcionais, e qualquer observador que não soubesse o que ocorria, poderia muito bem dizer que se tratavam de construções humanas.

Os fuzileiros que entraram em combate com os seres, antes de seu fatídico fim frente à arma desconhecida, relataram pelo rádio que os inimigos, cobertos por seus trajes, tinham forma humanóide, apenas eram mais altos e esguios, e moviam-se de forma estranha.

Em Marte, após terem assegurado o domínio da superfície do planeta, e com a frota em prontidão em sua órbita, deu-se inicio aos reparos da estrutura alienígena e sua conversão para atender as necessidades humanas. Nas semanas seguintes, exploradores encontraram três imensas estruturas metálicas em formado piramidal, que após uma serie de estudos, descobriu-se tratarem que complexos de “terraformação”, cujo objetivo era mudar a atmosfera marciana e torna-la respirável. Nesse processo descobriu-se também que os invasores, fossem eles quem fossem, também respiravam oxigênio, ou o utilizavam em larga escala para propósitos desconhecidos até então.   

Um ano terrestres foi o tempo necessário para que o complexo fosse  consertado e adaptado pelos humanos, que o utilizaram, nesse primeiro momento, apenas como base militar e cientifica, e uma grande base espacial, fazendo-se estaleiro para reparos e construção de naves menores foi construída na orbita de marte, próxima a Phobos. Posteriormente seriam trazidos os primeiros colonos e os técnicos e engenheiros para porem em funcionamento os equipamentos de terraformação. Nesse primeiro momento, tudo que interessava era vencer a guerra e assegurar o sistema.

Os estrategistas militares sabiam que as piores batalhas seriam travadas no campo de meteoros que separava marte e Júpiter, e que poderiam ser longas.

Durante esse tempo, o corpo cientistas na Terra e na Lua estudaram exaustivamente as naves capturadas, e com isso desenvolveram novos motores de propulsão, utilizando a fissão nuclear, sem necessitar mais de combustíveis líquidos em grandes quantidades ou de abastecimento freqüente. Esse tipo de motor era utilizado no cargueiro aprisionado, embora com uma tecnologia que os humanos ainda precisariam de décadas para assimilar e aperfeiçoar e torná-los tão eficientes quanto o da nave capturada. As naves de batalha utilizavam motores iônicos, cujo funcionamento ainda não havia sido decifrado.

Nos três anos que se seguiram, enquanto uma nova frota era construída, marte rechaçou três investidas a altos custos em vida e material. Ao que tudo indicava, os invasores não utilizam a fissão ou fusão nuclear como forma de armamento, apenas em motores e equipamentos não-bélicos, e essa foi a grande vantagem da terra.

No quarto ano após a conquista de Marte, a nova frota, com melhores motores e equipamentos partiu do estaleiro lunar. Era quinze naves de batalha da classe “Destroyer”, com três propulsores, 300 metros de comprimento e tripulação total de mil homens, incluindo os fuzileiros; quatro da classe “Cruzador”, com cinco propulsores, 500 metros de comprimento e tripulação total de mil e quintos homens; e dez naves de suprimentos e transportes variados, cada uma com cinco propulsores, capacidade para descidas atmosféricas e capacidade de carga de dez toneladas.

Essa imensa frota espacial fez em vinte e dois dias o trajeto Terra-Marte, no período de maior proximidade entre os dois planetas, e chegaram a tempo de repelir a quarta investida, que custou um Cruzador e três Destroyers, juntamente com a estação espacial de Phobos, que sofreu danos irreparáveis.

Uma nova estação começou a ser construída com os materiais trazidos da terra, juntamente com uma base militar na superfície de Phobos.  Com os novos motores uma linha regular de suprimentos foi estabelecidas, com as viagens durante de vinte dias até sessenta, dependendo da posição dos planetas.

No quinto dia após sua chegada, a frota separou-se, deixando para a proteção de Marte um Cruzador, cinco Destroyers e todas as naves de carga, que estabeleceriam a rota de suprimentos. As demais partiram em direção ao cinturão de asteróides, tendo o estaleiro de Ceres como alvo principal.

A chamada Guerra do Cinturão Principal, além da órbita de Marte, levou dez longos anos, onde se alternavam batalhas ferozes e longos períodos de calmaria. O estaleiro de Ceres foi tomado no terceiro ano da guerra, e com ele novas naves e tecnologias, incluindo novos motores de fissão, que foram largamente estudados e implantados em novas naves, diminuindo o tempo de viagem Terra-Marte para cinco dias na menor aproximação entre os dois, e vinte dias na maior. Contudo, os motores iônicos ainda permaneciam um enigma.

Nesse gigantesco campo de batalha, com milhares de asteróides espaçados, as batalhas foram ferozes, e por vezes, em algumas batalhas, ambos os lados tiveram suas forças completamente destruídas, assim com asteróides inteiros foram riscados dos mapas celestes. 

A pior dessas batalhas foi travada, no sexto ano da Guerra do Cinturão Principal, em torno do objeto conhecido como Kapa-593, um planetóide com pouco mais de trinta quilômetros de raio, onde os invasores haviam construído um segundo estaleiro após perderem Ceres. A batalha durou cinco dias terrestres e terminou com a destruição de quarenta e nove naves terrestres, trinta e duas naves invasoras e a completa destruição de Kapa-593.

Essa batalha trouxe conseqüências desastrosas para ambos os lados. Os humanos precisaram de dois longos anos para que recuperassem apenas uma parte da frota perdida. Os invasores, com seu lar em uma estrela distante, nunca conseguiram recuperar-se.

Os anos da Guerra do Cinturão Principal foram apenas um singelo jogo de gato e rato entre os asteróides, sem grandes baixas para os humanos. Em todas as batalhas dessa guerra, tratada sempre de forma separada, foram encontrados vestígios biológicos dos invasores. A mesma arma utilizada em Marte foi ali largamente utilizada.

Após a retomada do Cinturão Principal, dois anos foram gastos para preparar uma nova frota para retomar Ganimedes e Europa, duas das luas de Júpiter. Essa nova frota contava com grande autonomia e levava técnicos e equipamentos para criação de duas estações espaciais do tamanho da construída em Marte, e uma base na superfície de qualquer planetóide onde fosse necessária.

No vigésimo ano da Nova Era, a nova frota partiu para Ganimedes, em uma viagem que durou cerca de trinta dias com os mais avançados propulsores. A batalha nessa lua joviana foi curta e cruel, com pequenas perdas humanas, mas os invasores foram completamente destruídos, junto com suas instalações. Apenas duas naves inimigas entraram em combate, sem causar maiores danos e foram destruídas nos primeiros minutos.

Uma nave de reconhecimento, enviada ao Europa, encontrou apenas um complexo abandonado e tomado pelo gelo. Sondas foram enviadas em direção ao limites externos do sistema não localizou quaisquer sinais que pudessem denunciar a presença dos invasores em torno de Saturno, Netuno ou no Cinturão de Kuiper.

Vinte e um anos após a primeira batalha, e Primeira Guerra Espacial da Terra foi vencida pelos humanos, que asseguraram seu hegemonia no sistema solar e seu direito de viver nele.

Como disse um consultor francês naqueles tempos: “Eles ainda podem voltar.”

Mas os humanos, desta vez, estariam preparados para rechaçar a invasão já no Cinturão de Kuiper, caso ela acontecesse um dia. E nesse meio tempo, tinham muita coisa para fazer.

E foi dessa forma, com os inimigos batendo a porta de uma terra devastada, destroçada por suas brigas internas, que os homens enfim perderam o medo e lançaram-se a colonização do espaço, que até então parecia uma fronteira intransponível. 

 

  

 

 

 

 

                  



[1] Pensou-se primeiro em chamá-la de Primeira Frota Estelar Terrestre, mas devido a problemas com direitos autorais, isso não foi possível.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Canção da Espada - Bernard Cornwell

Dois trechos interessantes selecionados dessa obra, parte das Crônicas Saxônicas.

"Tinha vindo para mim naquele verão, meio rindo, e observou que as taxas que coletávamos dos mercadores que usavam o rio eram imprevisíveis, o que significava que Alfredo jamais poderia avaliar se estávamos mantendo a contabilidade correta. Ele esperou minha aprovação e, em vez disso, ganhou um cascudo em seu crânio tonsurado. Mandei-o para Alfredo sob guarda, com uma carta descrevendo sua desonestidade, então roubei eu mesmo as taxas. O padre havia sido idiota. Você nunca, nunca deve contar seus crimes aos outros, a não ser que sejam tão grandes a ponto de não poderem ficar escondidos, e nesse caso descreve-os como política ou ação de Estado." (p. 47)

"Eu havia roubado muitas coisas na vida, quase todas mais valiosas do que um cordeiro ou uma capa, mas eu roubo enquanto o dono está olhando e enquanto pode defender sua propriedade com a espada. O ladrão que rouba no escuro é que merece morrer." (p. 57)

sábado, 2 de maio de 2009

Textos mais do que batidos da net - Parte 1

Esse texto é mais do que batido e deve circular por correntes de e-mails desde o tempo em que o IG era top de linha em matéria de internet, e talvez antes disso ainda, mas, mesmo já tendo passado de caixa em caixa e tendo sido conhecido pela grande maioria dos participantes dessas correntes (os únicos que não leram foram aqueles que não tinha tempo ou paciência), o texto abaixo ainda contém muita verdade, e uma boa dose de bom humor.

Segue:

"Tudo o que sempre necessitei saber, aprendi com a minha mãe:

Minha mãe me ensinou a apreciar um trabalho bem feito:
Se você e seu irmão querem se matar, vão pra fora. Eu acabei de limpar a casa!

Minha mãe me ensinou a ter fé:
É melhor você rezar para essa mancha sair do tapete.

Minha mãe me ensinou a lógica:
Porque eu estou dizendo que é assim, acabou, e ponto final!

Minha mãe me ensinou o que é motivação:
Continua chorando que eu vou te dar uma razão verdadeira para você chorar!

Minha mãe me ensinou sobre genética:
Você é igualzinho ao traste do seu pai!

Minha mãe me ensinou sobre minhas raízes:
Tá pensando que nasceu de família rica é?

Minha mãe me ensinou a contradição:
Fecha a boca e come!

Minha mãe me ensinou a ter força de vontade:
Você vai ficar aí sentado até comer tudo!

Minha mãe me ensinou sobre justiça:
Um dia você terá seus filhos, e eu espero eles sejam iguais a você… aí você vai ver o que é bom.

Minha mãe me ensinou a valorizar um sorriso:
Me responde de novo e eu te arrebento os dentes!

Minha mãe me ensinou a retidão:
Eu te ajeito nem que seja na pancada!



Obrigado(a), mamãe!"

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sobre a Memória de minhas putas tristes...

Geralmente, lendo um livro ou outro, você sempre se depara com algo que pensou em escrever, algo que gostaria de ter escrito (essa deve ser a maioria) e uma vez ou outra encontra algo que tem a nítida certeza de que foi escrito para você, ou pelo menos sobre você ( até hoje acredito que o Nick Hornby escreveu o Alta Fidelidade baseado na minha vida.. rsrsrs), e é algo que fecha certo com você, ou pelo menos com o que você está vivendo nesse momento.

Esse trecho do Memória de Minhas Putas Tristes, do Gabriel Garcia Marques, é o meu último achado literário que combina com minha vida. 

Sei que ele não escreveu isso pra mim, com certeza, mas sei que se parece muito.

“Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, 
cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, 
não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. 

Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; 
que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, 
que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado 
e sempre penso o pior, 
que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, 
que só sou pontual para que
ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. 

Descobri, enfim, 
que o AMOR não é um estado da
alma e sim um signo do Zodíaco.

(Gabriel Garcia Marquez - Memórias de Minhas Putas Tristes, pg. 74)”