sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Apocalipse Z - Manel Loureiro

     Após perder sua esposa o narrador da história, aconselhado por seu psicólogo, passar a "desabafar" em seu blog, e acaba relatando o fim da civilização que conhecemos.

     Um vírus mortal se espalha a partir do Daguestão, uma divisão federal da Federação Russa (http://pt.wikipedia.org/wiki/Daguest%C3%A3o), após um atentado a uma instalação militar. Em poucos dias o vírus varre a Russia e se espalha pelo planeta. O vírus transforma os infectados em zumbis, não-mortos ambulantes, violentos, sujos, decrépitos e sedentos por carne humana, e as vezes não humana.

     Nossa sociedade rapidamente entra em colapso e todas as tentativas de conter o vírus e o numero crescente de infectados, cada vez mais desesperadas, começam a falhar, mergulhando o mundo em trevas e caos.

     O narrador se tranca em sua casa com seu fiel amigo Lúculo, um gato persa alaranjado, e observa o mundo cair ao seu redor através dos meios de comunicação, tomando o cuidado de registrar tudo em seu blog, e após o colapso final da internet, em um diário.
     
     Apocalipse Z - O principio do fim (Planeta - 2010), do escritor espanhol Manel Loureiro foi, com certeza, a maior surpresa literária que tive esse ano. Uma narrativa clara, fluida, rica em detalhes e emoções. 
     
     Os fãs do gênero vão encontrar algo a altura dos melhores filmes, bem como muitas referências aos mesmos e homenagens veladas, bem como sangue e situações gore em cada esquina.
     
     Leitura obrigatória para os fãs de zumbis.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Um homem fora do tempo

Autor: Mano Lima


É na fumaça que se conhece um taura 
É neste mundo que quero mostrar quem sou 
Se é na guerra que o soldado pega o nome 
Pois foi na guerra que o gaúcho se criou. 

Tem o gaúcho da boca pra fora 
Mas também tem o que é do coração pra dentro 
Se tenho cerne na garganta é de pau ferro 
Por isso berro e quando canto me sustento. 

O homem foge dos seus princípios 
E o mundo em direção da perversidade 
Se vivo peleando solito é porque sou peão de estância 
E trago de herança o respeito e a hombridade 

Quando a moral se entrega 
O homem chega a seu próprio fim 
Mas debaixo na macega 
Se esconde o melhor capim 
Debaixo do meu sombreiro 
Tem um bugre missioneiro peleando dentro de mim. 


Já de cavalo aplastado 
Eu venho bem cortado e não vou me entregar 
Só com a cabo da adaga 
Meu corpo é uma chaga de tanto pelear. 

Bolicheiro me de um trago pra me clarear a visão 
E um punhadito de bala pra arrumar a fala do meu nagão. 

Que me valeria a vida se no perigo eu fosse disparar? 
O que vale a liberdade pra quem é covarde e não sabe pelear? 
Um homem o mundo não leva quando tem sangue nas veias 
Eu venho vindo da terra onde o touro berra e o taura peleia. 

Que me valeria a vida se no perigo eu fosse disparar? 
O que vale é a liberdade pra quem é covarde e não sabe pelear? 
Amigo bota outro trago e saiba porque peleei 
Foi porque os homens mudaram e se acadelaram e eu não acompanhei.