domingo, 6 de dezembro de 2009

Meridiano de Sangue, ou O rubor crepuscular no Oeste – Cormac McCarthy




Parte 2: Principais citações.


“E desse modo aqueles grupos se separaram na planície à meia-noite, cada um percorrendo o caminho pelo qual o outro viera, perseguindo como cabe a todo viajante inversões sem fim das jornadas de outros homens.” p. 130

“Se grande parte do mundo era mistério as fronteiras desse mundo não o eram, pois elas não conheciam medida ou limite e aí dentro encerrados estavam criaturas ainda mais horríveis e homens de outras cores e seres sobre os quais homem algum deitara os olhos e contudo nenhuma dessas coisas mais forasteira do que forasteiros eram seus próprios corações em seus peitos, fossem quais fossem a vastidão e as feras ai dentro encerradas.” p. 147

“As coisas que estão por vir não se desviam um isto do livro em que estão escritas.” p. 150

“O que é verdadeiro para um homem, disse o juiz, é verdadeiro para muitos.” p. 154

“É da natureza do mundo vicejar e florir e morrer mas nos negócios do homem não há definhamento e o zênite de sua expressão sinaliza o começo da noite.” p. 155

“Cavalgaram como homens investidos de um propósito cujas origens eram anteriores a eles, como legatários de sangue de uma ordem imperativa e remota. Pois embora cada homem entre eles fosse distinto em si mesmo, combinados formavam algo que não existira antes e nessa alma comunal havia plagas desertas dificilmente mais apreensíveis do que aquelas regiões esmaecidas em antigos mapas onde vivem monstros e onde nenhuma outra coisa do mundo conhecido existe salvo supostos ventos.” p. 162

“(...) e seguiram insensatos e meio desatinados em direção ao término vermelho daquele dia, em direção às terras crepusculares e ao distante pandemônio do sol.” p. 196

“Chovia novamente e cavalgaram recurvos sob impermeáveis talhados de peles sebentas semi-curvados e assim encapelados sob a chuva cinzenta e furiosa pareciam guardiões de uma seita obscura enviados a buscar prosélitos entres as próprias feras da terra.” p. 198

“Tudo que existe, disse. Tudo que na criação existe sem meu conhecimento existe sem meu consentimento.” p. 209

“O homem que acredita que os segredos do mundo estão escondidos para sempre vive em mistério e medo. A superstição o arrasta para o fundo. A erosão da chuva vai apagar os feitos de sua vida. Mas o homem que impõe a si mesmo a tarefa de descoser o fio que ordena a tapeçaria terá mediante a mera decisão assumido o comando do mundo e é somente assumindo o comando que levará a efeito um modo de ditar os termos de seu próprio destino.” p. 210

“O arco dos corpos que circulam é determinado pelo comprimento de suas peias, disse o juiz. Luas, moedas, homens.” p. 258

“Ele quedava observando o fogo e se acaso ali enxergou augúrios não lhes deu importância. Viveria para ver o mar ocidental e estava à altura do que quer que sucedesse pois ele era completo em todos os momentos. Quer sua historia transcorresse concomitantemente à dos homens e nações, quer cessasse. Repudiara havia muito todo o peso da conseqüência e concedendo como o fazia que os destinos dos homens estão todos traçados ainda assim arrogava conter em si tudo que ele algum dia seria no mundo e tudo que o mundo seria para ele e mesmo que os termos de seu contrato estivessem escritos na própria pedra primordial reivindicava o direito à ação e tal o afirmava e conduzia o sol implacável a sua derradeira tenebrosidade como se estivesse sob seu comando desde o início dos tempos, antes de haver caminhos onde quer que fosse, antes de haver homens ou sóis a passar sobre eles.” p. 255

“Pois cada fogo é todos os fogos, o primeiro fogo e o último que um dia haverá de ser.” p. 256

“Os cavalos marcharam sombriamente no solo alienígena e a terra redonda rolava sob eles em silêncio como uma mó girando no vácuo ainda maior onde estavam contidos. Na austeridade neutra daquela região a todos os fenômenos era legada uma estranha equanimidade e nem uma única criatura fosse uma aranha fosse uma pedra fosse uma folha de mato podia reclamar precedência. A própria clareza desses entes desmentia sua familiaridade, pois o olhar atribuía predicado ao todo com base em algum traço ou parte e ali nenhuma coisa era mais luminosa que outra e nenhuma mais ensombrecida e na democracia óptica de tais panoramas toda preferência é tomada em capricho e um homem e uma pedra vêem-se dotados de afinidades insuspeitas.” p. 259-260

“Não faz diferença o que o homem pensa da guerra, disse o juiz. A guerra perdura. É a mesma coisa que perguntar o que o homem pensa da pedra. A guerra sempre vai existir. Antes do homem aparecer, a guerra estava a sua espera. A ocupação suprema à espera do praticante supremo. Assim foi e assim será. Assim e de mais nenhum outro jeito.” p. 260

“Os homens de deus e os homens da guerra guardam estranhas afinidades.” p. 263

“Apenas o juiz pareceu avaliá-los com o devido vagar e o fez com sobriedade, julgando como deve ter feito que as coisas dificilmente são o que parecem.” p. 267

“Em qualquer acontecimento a história de todos não é a história de cada um nem tampouco a soma dessas histórias e ninguém aqui no final pode entender o motivo de sua presença pois ninguém tem como saber nem mesmo no que o acontecimento consiste. Na verdade, se a pessoa soubesse é bem provável que se ausentasse e como você pode ver isso não pode ser parte do plano se é que algum plano há.” p. 344

“As lembranças do homem são incertas e o passado que ocorreu difere pouco do passado que não.” p. 346

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