sábado, 11 de dezembro de 2010

Um homem fora do tempo

Autor: Mano Lima


É na fumaça que se conhece um taura 
É neste mundo que quero mostrar quem sou 
Se é na guerra que o soldado pega o nome 
Pois foi na guerra que o gaúcho se criou. 

Tem o gaúcho da boca pra fora 
Mas também tem o que é do coração pra dentro 
Se tenho cerne na garganta é de pau ferro 
Por isso berro e quando canto me sustento. 

O homem foge dos seus princípios 
E o mundo em direção da perversidade 
Se vivo peleando solito é porque sou peão de estância 
E trago de herança o respeito e a hombridade 

Quando a moral se entrega 
O homem chega a seu próprio fim 
Mas debaixo na macega 
Se esconde o melhor capim 
Debaixo do meu sombreiro 
Tem um bugre missioneiro peleando dentro de mim. 


Já de cavalo aplastado 
Eu venho bem cortado e não vou me entregar 
Só com a cabo da adaga 
Meu corpo é uma chaga de tanto pelear. 

Bolicheiro me de um trago pra me clarear a visão 
E um punhadito de bala pra arrumar a fala do meu nagão. 

Que me valeria a vida se no perigo eu fosse disparar? 
O que vale a liberdade pra quem é covarde e não sabe pelear? 
Um homem o mundo não leva quando tem sangue nas veias 
Eu venho vindo da terra onde o touro berra e o taura peleia. 

Que me valeria a vida se no perigo eu fosse disparar? 
O que vale é a liberdade pra quem é covarde e não sabe pelear? 
Amigo bota outro trago e saiba porque peleei 
Foi porque os homens mudaram e se acadelaram e eu não acompanhei. 



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