sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sobre a Memória de minhas putas tristes...

Geralmente, lendo um livro ou outro, você sempre se depara com algo que pensou em escrever, algo que gostaria de ter escrito (essa deve ser a maioria) e uma vez ou outra encontra algo que tem a nítida certeza de que foi escrito para você, ou pelo menos sobre você ( até hoje acredito que o Nick Hornby escreveu o Alta Fidelidade baseado na minha vida.. rsrsrs), e é algo que fecha certo com você, ou pelo menos com o que você está vivendo nesse momento.

Esse trecho do Memória de Minhas Putas Tristes, do Gabriel Garcia Marques, é o meu último achado literário que combina com minha vida. 

Sei que ele não escreveu isso pra mim, com certeza, mas sei que se parece muito.

“Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, 
cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, 
não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. 

Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; 
que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, 
que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado 
e sempre penso o pior, 
que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, 
que só sou pontual para que
ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. 

Descobri, enfim, 
que o AMOR não é um estado da
alma e sim um signo do Zodíaco.

(Gabriel Garcia Marquez - Memórias de Minhas Putas Tristes, pg. 74)”

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