segunda-feira, 13 de abril de 2009

Valek

Valek era chamado de humanóide, e com razão, pois sua composição física variava muito pouco daquela dos “Seres das Estrelas”, mas, apesar disso, era por eles, considerado com sendo inferior, e não lhe davam sequer o respeito que tinham pelos mais inferiores de seus irmãos.

Ele, que outrora fora o Grande Pai da maior tribo daquelas terras, hoje era pisado e esnobado pelos novos senhores, que desciam dos céus em suas maquinas de metal reluzentes e barulhentas, e voltavam para o mesmo céu deixando atrás de si uma trilha de fogo e fumaça.

Eles ali chegaram falando de paz e harmonia, trazendo novos deuses de culto e magia boa, quando Valek era pequeno, ainda possuindo a calda que lhe auxiliaria na arte de andar em duas pernas. Ensinaram a plantar, a colher e a curar os doentes, e em troca só pediam um pedaço de rocha aqui e outro ali, e foram embora.

Depois voltaram, estações após, quando Valek já era chamado de Grande Pai em sua tribo, e era respeitado em todas as tribos menores. Por isso foi ele o mensageiro entre as tribos e os novos senhores, e foi até eles para reforçar as velhas promessas e a antiga amizade.

Porém, dessa vez, o discurso havia mudado.

Trouxeram novas máquinas, maiores e mais barulhentas, que destruíram plantações inteiras, transformaram montanhas em pedregulhos e secaram rios, tudo em busca do mesmo tipo de rocha que haviam ganhado em outros tempos. Vilas foram queimadas e tribos massacradas, e aqueles que não morreram viveram apenas para tornarem-se escravos dos novos senhores.

Os homens serviam nas minas, fazendo toda sorte de trabalhos humilhantes e perigosos, e as mulheres serviam-lhes na cama. Ambos eram mortos ao bel prazer, assim como as crianças, que por vezes serviam de comida para os animais trazidos pelos senhores de seu mundo.

Valek viu muitos de seus irmãos e irmãs padecerem nesse suplicio, muitas vezes apenas por diversão. Ele próprio fora coroado com espinhos e posto em um trono de pedra no centro da maior aldeia dos senhores, onde ficava todo o tempo, acorrentado, a servir de aviso aos seus que desobedecessem.

Se o Grande Pai, que fora o mais poderoso de todas as tribos, não podia lutar contra eles, o que poderiam fazer seus filhos e filhas, que sempre necessitaram de sua proteção? 

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